Artigos Café Brasil
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Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

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Vem aí o Cafezinho
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Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

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Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

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É tudo soda
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Isca intelectual de Luciano Pires lembrando que ...

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583 – A regra dos dois desvios
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Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois ...

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582 – Sobre transgressão
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581 – Carta aos jornalistas
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580 – O esquecimento do bem
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William é um daqueles empreendedores que a gente gosta: ...

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LíderCast 084 Rodrigo Azevedo
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Itamar Linhares é médico-cirurgião na cidade de ...

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Mudança, inovação e o espírito conservador
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Ciência Política
Mudei de casa recentemente. Muito mais do que necessário, mudei porque quis, porque considerei que seria melhor. Mudar é sempre, porém, um tormento. Embalar os pertences, transportá-los para ...

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O pior dos pecados
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“A conduta é um espelho no qual todos exibem sua imagem.” (Goethe)   Um renomado palestrante é contratado para fazer uma apresentação em um evento de uma multinacional. Porém, apenas uma ...

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Gênese da corrupção
Tom Coelho
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“(…) que os criminosos fiquem em terra de meus senhorios e vivam e morram nela, especialmente na capitania do Brasil que ora fiz mercê a Vasco Fernandes Coutinho (…) e indo-se para ...

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Analfabetismo funcional
Tom Coelho
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“Só a educação liberta.” (Epicteto)   O índice de reprovação no exame anual da Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo, tem atingido a impressionante marca de 90%. Realizado em duas ...

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Cafezinho 14 – A sala, o piano e a partitura
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Mesmo uma obra de arte, só tem utilidade de houver uma ...

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Cafezinho 13 – A sociedade da confiança
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Quem confia nas leis não precisa quebrá-las.

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Cafezinho 12 – Os tortos e os direitos
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Eu sou direito. Quero tratamento diferente dos tortos.

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Cafezinho 11 – Vergulho e Orgonha
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Se tenho orgulho de meu país? Sim. Mas também tenho vergonha.

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Me engana que eu gosto

Me engana que eu gosto

Luciano Pires -

Em 1959 o premier da Austrália, Joe Cahill, estava doente e sabia que tinha pouco tempo de vida. Abraçou então um desafio: fazer com que o projeto da Ópera de Sidney, o fantástico prédio cuja imagem hoje representa o país, se tornasse realidade. Seu compromisso foi de iniciar as obras rapidamente de forma que, se seu partido perdesse as eleições, não haveria como cancelar o projeto. Cahill sabia que o orçamento do projeto, de 58 milhões de dólares australianos, não seria aprovado. Anunciou então que a obra custaria sete milhões e começou a construção antes mesmo que todos os desenhos estivessem prontos. Não demorou para que os fatos começassem a superar a ficção e os valores foram subindo. Num determinado momento, Jorn Utzon, o arquiteto responsável pelo fantástico projeto, foi demonizado. Entre outros problemas, a culpa do estouro do orçamento seria dele, de seu design e mau gosto. Foi uma campanha tão forte que Utzon deixou a Austrália em 1966, prometendo nunca mais voltar.

A data para inauguração do projeto era 1963, ao custo total dos tais sete milhões de dólares australianos. O prédio foi inaugurado em 1973 ao custo de 102 milhões… Você leu certo sim: cento e dois milhões de dólares australianos. E para piorar, as interferências políticas e mudança do arquiteto fizeram do Opera House um local excelente para shows de rock, convenções e orquestras de câmara, mas inadequado para óperas clássicas. A Ópera de Sidney não era adequada para óperas. Em 2001, Utzon foi chamado de volta para consertar os problemas e em 2007 propôs uma reforma completa no complexo.

Bem, vamos lá: de sete para 102 milhões são aproximadamente 1400% de estouro no orçamento original. Corrupção, desvio de verbas e serviços fantasmas nunca apareceram como problemas principais. A história debita o estouro do orçamento a uma decisão política, seguida da troca do arquiteto, dificuldades de construção e outros problemas técnicos. Questionados quase quarenta anos depois, vários australianos defendem a “trapaça” do orçamento, pois sem ela o projeto jamais seria aprovado e aquele monumento ícone do século 20 não existiria…

Projetos multimilionários fazem com que muita gente ganhe, honestamente ou não: engenheiros, arquitetos, construtores, paisagistas, advogados e políticos entre outros. Cria-se então a figura do “me engana que eu gosto”: todos sabem que o orçamento apresentado é insuficiente, mas a obra “precisa” ser feita para o bem geral da nação. Nenhum dos envolvidos se vê como desonesto ou corrupto e nós, povo, compramos as promessas, felizes com os cenários idílicos de um futuro precioso que jamais será cobrado de quem prometeu. Deliberadamente cegos para as trapaças, aceitamos projeções de custos subestimadas e de ganhos superestimadas. O resultado é um custo altíssimo para a sociedade, mas sem o qual “as obras de arte não seriam construídas.” E o interesse público torna-se refém do privado. Conhece esse filme? Pois é.

O Velódromo construído no Rio de Janeiro ao custo de R$ 14 milhões para os Jogos Pan Americanos de 2007 (lembra? Parte das obras que seriam aproveitadas para as Olimpíadas de 2016?) acaba de ser declarado inadequado pelo Comitê Olímpico Internacional. Previa-se uma reforma de R$ 70 milhões, mas já se fala na construção de um novo velódromo com custo superior a R$ 115 milhões. E isso é só o velódromo. É só Olimpíadas. Ainda tem a Copa. O trem bala. A transposição do São Francisco. O Pré Sal…

Me engana que eu gosto.

Luciano Pires