Assine o Café Brasil
Artigos Café Brasil
A rã e o escorpião
A rã e o escorpião
Isca intelectual de Luciano Pires, dizendo que é como ...

Ver mais

Fake News
Fake News
Isca intelectual lembrando da teoria dos Quatro Rês, ...

Ver mais

Matrizes da Violência
Matrizes da Violência
Isca intelectual lembrando que os presídios brasileiros ...

Ver mais

Mudei de ideia
Mudei de ideia
Isca intelectual de Luciano Pires incentivando que você ...

Ver mais

545 – Explicando Política Para Crianças – Revisitado
545 – Explicando Política Para Crianças – Revisitado
Podcast Café Brasil 545 - Explicando Política Para ...

Ver mais

544 – Persuadível
544 – Persuadível
Podcast Café Brasil 544 - Persuadível. Vivemos numa ...

Ver mais

543 – Desengajamento moral
543 – Desengajamento moral
Podcast Café Brasil 543 - Desengajamento moral. Como é ...

Ver mais

542 – Tapestry
542 – Tapestry
Podcast Café Brasil 542 - Tapestry. Em 1971 uma cantora ...

Ver mais

LíderCast 056 – Paula Miraglia
LíderCast 056 – Paula Miraglia
LiderCast 056 - Hoje conversaremos com Paula Miraglia, ...

Ver mais

LíderCast 055 – Julia e Karine
LíderCast 055 – Julia e Karine
LiderCast 055 - Hoje vamos conversar com duas jovens ...

Ver mais

LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LiderCast 054 - Hoje vamos falar com o empreendedor ...

Ver mais

LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LiderCast 053 - Hoje vamos entrevistar Adalberto ...

Ver mais

045 – Recuperando do trauma
045 – Recuperando do trauma
Quando terminar o trauma, quando o Brasil sair deste ...

Ver mais

Vem Pra Rua!
Vem Pra Rua!
Um recado para os reacionários que NÃO vão às ruas dia ...

Ver mais

44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
Apresentação de Luciano Pires no Epicentro em Campos de ...

Ver mais

43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da ...

Ver mais

Homens Gentis
Suely Pavan Zanella
Iscas Comportamentais
Homens Gentis   Suely Pavan Zanella A repercussão nas Redes Sociais do tratamento dispensado por Obama à sua esposa Michelle em comparação ao de Trump junto à Melania, mostrou que as ...

Ver mais

Explicando Política Para Crianças
Isqueiro isqueiro
Isca intelectual de Rubem Alves, necessária até mesmo para adultos...

Ver mais

Metamorfose ambulante
Tom Coelho
Sete Vidas
“Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor.” (Raul Seixas)   Foram necessários 18 séculos para que a teoria geocêntrica, segundo a qual a Terra ...

Ver mais

A verdade inconveniente da política atual
Bruno Garschagen
Ciência Política
Isca Intelectual de Bruno Garschagen, lembrando que o risco imediato para o futuro do mundo não é a desgraça do populismo: é o casamento incestuoso entre a degradação da política de hoje com a ...

Ver mais

Me engana que eu gosto

Me engana que eu gosto

Luciano Pires -

Em 1959 o premier da Austrália, Joe Cahill, estava doente e sabia que tinha pouco tempo de vida. Abraçou então um desafio: fazer com que o projeto da Ópera de Sidney, o fantástico prédio cuja imagem hoje representa o país, se tornasse realidade. Seu compromisso foi de iniciar as obras rapidamente de forma que, se seu partido perdesse as eleições, não haveria como cancelar o projeto. Cahill sabia que o orçamento do projeto, de 58 milhões de dólares australianos, não seria aprovado. Anunciou então que a obra custaria sete milhões e começou a construção antes mesmo que todos os desenhos estivessem prontos. Não demorou para que os fatos começassem a superar a ficção e os valores foram subindo. Num determinado momento, Jorn Utzon, o arquiteto responsável pelo fantástico projeto, foi demonizado. Entre outros problemas, a culpa do estouro do orçamento seria dele, de seu design e mau gosto. Foi uma campanha tão forte que Utzon deixou a Austrália em 1966, prometendo nunca mais voltar.

A data para inauguração do projeto era 1963, ao custo total dos tais sete milhões de dólares australianos. O prédio foi inaugurado em 1973 ao custo de 102 milhões… Você leu certo sim: cento e dois milhões de dólares australianos. E para piorar, as interferências políticas e mudança do arquiteto fizeram do Opera House um local excelente para shows de rock, convenções e orquestras de câmara, mas inadequado para óperas clássicas. A Ópera de Sidney não era adequada para óperas. Em 2001, Utzon foi chamado de volta para consertar os problemas e em 2007 propôs uma reforma completa no complexo.

Bem, vamos lá: de sete para 102 milhões são aproximadamente 1400% de estouro no orçamento original. Corrupção, desvio de verbas e serviços fantasmas nunca apareceram como problemas principais. A história debita o estouro do orçamento a uma decisão política, seguida da troca do arquiteto, dificuldades de construção e outros problemas técnicos. Questionados quase quarenta anos depois, vários australianos defendem a “trapaça” do orçamento, pois sem ela o projeto jamais seria aprovado e aquele monumento ícone do século 20 não existiria…

Projetos multimilionários fazem com que muita gente ganhe, honestamente ou não: engenheiros, arquitetos, construtores, paisagistas, advogados e políticos entre outros. Cria-se então a figura do “me engana que eu gosto”: todos sabem que o orçamento apresentado é insuficiente, mas a obra “precisa” ser feita para o bem geral da nação. Nenhum dos envolvidos se vê como desonesto ou corrupto e nós, povo, compramos as promessas, felizes com os cenários idílicos de um futuro precioso que jamais será cobrado de quem prometeu. Deliberadamente cegos para as trapaças, aceitamos projeções de custos subestimadas e de ganhos superestimadas. O resultado é um custo altíssimo para a sociedade, mas sem o qual “as obras de arte não seriam construídas.” E o interesse público torna-se refém do privado. Conhece esse filme? Pois é.

O Velódromo construído no Rio de Janeiro ao custo de R$ 14 milhões para os Jogos Pan Americanos de 2007 (lembra? Parte das obras que seriam aproveitadas para as Olimpíadas de 2016?) acaba de ser declarado inadequado pelo Comitê Olímpico Internacional. Previa-se uma reforma de R$ 70 milhões, mas já se fala na construção de um novo velódromo com custo superior a R$ 115 milhões. E isso é só o velódromo. É só Olimpíadas. Ainda tem a Copa. O trem bala. A transposição do São Francisco. O Pré Sal…

Me engana que eu gosto.

Luciano Pires