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Que falta faz Roberto Campos!
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RESUMO DA LIVE: LIVE COMPLETA: https://web.facebook.com/carlos.nepomuceno/videos/10157256876268631 RESUMO DAS LIVES ANTERIORES: https://www.youtube.com/playlist?list=PL7XjPl0uOsj8TxfUISqzcl4YrxYBC0vOw

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Outro dia assisti boquiaberto algo que não sei muito bem como descrever, mas posso afirmar que foi incrível e vou contar para você como um músico (que confesso não acompanhar muito) me deu uma ...

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100 dias de Bolsonaro
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100 dias de Bolsonaro Mais dúvidas e incertezas do que avanços concretos “O discurso liberal, que parece ser o principal pilar da agenda econômica, está sendo obscurecido por dois outros ...

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Há silêncios e silêncios. Há o silêncio das pedras. Há ...

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Cafezinho 166 – O nobre
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Este Brasil de 2019 é muito diferente daquele de 2015.

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Love, Janis

Love, Janis

Luciano Pires -

Às vésperas de completar os 10 anos do atentado às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2011 decidi reproduzir um artigo que escrevi em 2003:

O ano é 2002. Num sábado em Manhattan, descubro um show em Greenwich Village: “Love, Janis”. Duas garotas interpretam Janis Joplin, a cantora e compositora estadunidense que morreu de overdose em 1970. Uma garota canta as músicas, a outra recita textos tirados das cartas de Janis para sua família e de entrevistas ao longo da carreira. O teatro? Parece mais um barzinho, a gente senta quase em cima dos atores. Uma banda igual à de Janis. E eu ali, na expectativa, sozinho.Começa a peça (ou show?). A banda lança os acordes, a garota entra com a vestimenta característica de Janis e detona “Piece of My Heart”. Eu rio. E choro. Ouço a voz e vejo os trejeitos de Joplin… e não tenho como escapar. Volto pra 1967. O show é um arraso. Saio do teatro quase uma da manhã. Torto.  Decido voltar a pé para o hotel, ao lado de Times Square. Longe dali. Ando uns bons minutos, sem saber, na direção contrária do hotel. Chego numa igreja com a cerca coberta de cartazes, camisetas, bonés, fotos, flores. Na porta, um grande painel, onde se lê: “Saída das Cinzas”. Me dá um gelo no estômago. Olho pra esquina, uma barraquinha vendendo bonés e camisetas. E a frase definitiva: Ground Zero.

– Não é possível! Onde é que eu vim parar?

Eu estava onde se erguiam as torres gêmeas, derrubadas pelos aviões em setembro de 2001, um ano antes. O coração bate forte conforme acelero o passo.

– Não é possível!

E eu chego lá. Às duas da manhã. Por acaso. Sem querer, sem saber. Um calçadão com concreto novíssimo e muito claro. Uma imensa cerca de metal com painéis contando a história do World Trade Center. E uma grande cruz feita com vigas de aço da estrutura das torres. Era madrugada. Eu estava saindo de duas horas que mexeram  com minha cabeça. Saindo de 1967 e mergulhando em 2002. A seco. Sem querer… sem esperar. O que fazer? Olhar… Rezar… Buscar alguma explicação para aquele erro de direção que me jogou de volta no século 21.Várias pessoas vagavam pela calçada, como se não tivessem um objetivo claro. Talvez estivessem ali como eu, sem querer?Fiquei por lá uns minutos. Peguei o metrô e voltei para o hotel.

Enquanto eu seguia no vagão vazio, pela cabeça passavam Janis Joplin e Bin Laden.
Rock´n Roll e a CNN. Vietnan e Afeganistão. Vinil e CD. Paz e Amor e Internet. Vivi naquela madrugada em Manhattan um misto de emoções como eu desconhecia. Mudei de séculos em minutos. Saí da poesia para a realidade dura em segundos. Do universo de uma artista que ajudou a formar seu tempo, sua geração, para o do fanático religioso que fez o mesmo.Vivi o mal e o bem em intensidades e formas diferentes. O bem da arte, liquidado pelo mal do vício, levando Janis embora aos 27 anos. O bem da tecnologia, usado pelo mal do fanatismo, levando quase 3.000 vidas embora…

Naqueles minutos no Ground Zero, de frente para o vazio, senti a força do espírito humano para produzir arte e destruição. E no balanço que faço hoje, uma década depois, felizmente ficou o mais forte:

Love, Janis.

Luciano Pires