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Sexta,18 Maio 2012

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Jovens Esperanças

Minha filha vai completar 20 anos, uma jovem adulta que começa a ter contato com as relações profissionais. Outro dia perguntei-lhe sobre um curso que a interessava. Veio a resposta:

- To esperando o cara do estágio.

Ela remeteu o currículo para uma empresa e o contato ficou de dar o retorno. E até aquele momento... Nada. E ela não podia se matricular no curso sem saber a resposta sobre o estágio. Por isso esperava.

Em minha vida profissional sempre deparei com coisas que não aconteciam, os “não-eventos”. E ao interpelar o responsável, invariavelmente vinha um “to esperando o fulano”, “to esperando a liberação”, “to esperando o orçamento” e outras variedades de esperas. Quando ouço o “to esperando” vem-me à mente a imagem de um pobre velhinho no ponto de ônibus, à noite, no frio e chuva, esperando a condução que nunca chega. E vendo a vida indo embora...
“To esperando” é pra quem acredita que “quem espera sempre alcança”...
Expliquei à minha filha a razão do “to esperando” não ser uma alternativa:

- A pessoa que você está esperando está preocupada com o tempo dela e não com o seu. Provavelmente ela está entupida de coisas pra fazer, mais importantes para ela do que o estágio de uma garota desconhecida. Por isso, nenhuma urgência na resposta. E enquanto a resposta não vem, outras coisas importantes não acontecem, pois você está “esperando”.

E completei com algo que doeu lá no fundo:

-Minha filha, no mundo profissional raramente alguém tratará as expectativas que você tem com o carinho, a importância e a urgência que você espera. Nesse mundo, quem trata as pessoas com senso de urgência e respeito é alguém especial. Muito especial. Espero que você seja uma profissional assim.

Depois desse diálogo, ela foi chamada para uma entrevista do outro lado de São Paulo. A conversa durou 10 minutos. A empresa não informou que “procurava estagiários com dois ou três anos de experiência de mercado”. E ninguém pediu desculpas, ninguém explicou...
Ao mesmo tempo um amigo dela foi fazer exame de admissão como estagiário numa grande empresa. Chegou pontualmente sete da manhã e ficou esperando até as 10h40 para ser atendido. E ninguém pediu desculpas, ninguém explicou...

Pois é... Ao contrário do que ensinamos a eles, suas primeiras experiências profissionais tem sido a frustrante percepção de que a ineficiência, a grossura, o desrespeito e a incompetência talvez sejam regra, não exceção.

E naquelas jovens cabeças, lentamente a esperança do verbo esperançar se transforma na esperança do verbo esperar. E isso é uma grande sacanagem.

Espero que não seja tarde demais pra eles.

Luciano Pires

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