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Jane de Jacundá

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Luciano Pires -

Marabá, Pará. Na plateia superlotada, cerca de 200 pequenos e micro empresários e empresárias. No palco, o pessoal do Sebrae – PA, apresentando os serviços que oferece como apoio a quem quer empreender na região. Caberia a mim encerrar o evento com minha palestra A Fórmula da Inovação. Logo na abertura, uma surpresa. Convidaram para um depoimento uma micro empreendedora de Jacundá, município da região, Jane Moreira dos Santos. Mulher humilde, na casa dos 50 anos de idade, evidentemente intimidada diante de tanta gente. Não perguntei, mas é claro que ela é uma pessoa com poucos estudos básicos, que chegou à região sem muitos recursos além da vontade de progredir na vida. Jane conquistou a plateia em segundos, bastou ser ela mesma. Com ajuda do pessoal do Sebrae, foi contando sua história ilustrada por fotos.

Anos atrás ela e Domingos, seu marido, chegaram à região com dinheiro apenas para comprar “uma terrinha e umas vaquinhas”. Pouquinhas. Na ocasião não tinham recursos “nem para comprar pão”. Criavam as vacas soltas no pasto, sem qualquer técnica, ordenhando manualmente, transportando o leite da forma que era possível e sobrevivendo a duras penas. Com o tempo perceberam que, sem conhecimento, não conseguiriam progredir. Contataram o Sebrae e foram para a sala de aula, recebendo orientação necessária para se profissionalizar. Aprenderam a confinar as vacas e a alimentá-las, aprenderam como administrar o negócio, iniciaram um processo de inseminação artificial, foram orientados sobre como conseguir crédito para financiamentos, expandiram os cercados, construíram um galpão para ordenha… E as fotos iam se sucedendo, mostrando claramente a evolução da propriedade. E em 2013, Jane ganha o prêmio Mulher Empreendedora do estado, causando gargalhadas na plateia ao mostrar suas fotos de vestido longo na cerimônia de premiação.

– Nem no meu casamento tirei tanta fotografia …

No final, após as fotos dos modernos equipamentos para ordenha, armazenagem e resfriamento do leite, surge um trator lindo. E ela conta que o comprou financiado. E então mostra outro trator, maior e mais bonito ainda.

– Esse eu acabo de comprar. À vista.

E a plateia explode em aplausos.

Uma pessoa me diz que ficou emocionada ao saber que Jane e o marido ainda vivem numa casinha humilde. Perguntada por que não arrumava a casa, ela disse:

– Estou esperando o engenheiro. Quem vai construir a casa é ele.

Jane tem um casal de filhos, ambos na faculdade de engenharia, e o menino se forma este ano. Seu filho construirá a nova casa da família.

Não há discurso ideológico que resista à história de Jane, que envolve visão capitalista, meritocracia, sistema financeiro e tudo aquilo que tem sido sistematicamente demonizado pelos que acham que todo mundo é igual, que o estado é rei, que empresários são exploradores malvados que querem oprimir para enriquecer. Jane, em sua simplicidade e trabalho duro, aproveita as oportunidades, está progredindo, criando empregos, gerando riqueza na região onde vive. E é recompensada por isso.

E, acredite, existem milhares de Janes pelo Brasil.

A Jane de Jacundá, além da evidente força de vontade, humildade de reconhecer suas deficiências e gana para ir atrás de ajuda, é resultado daquilo que deveria ser a única função do estado: dar instrumentos – e liberdade – a quem quer fazer acontecer.

Ao final de minha palestra, recomendei à plateia:

– Amanhã, ao bater aquela depressão com a visão do inferno que é o Brasil dos telejornais diários, lembrem-se da Jane de Jacundá. Ela não aparecerá na televisão.

E a plateia explodiu em aplausos.

Ainda há esperança.