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Trivium: Capítulo 3 – Palavras Atributivas: verbos, advérbios e adjetivos (parte 5)
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Cafezinho 225 – O Meu Everest
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Nos livros, isso tem o nome de planejamento estratégico.

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Freestyle

Freestyle

Luciano Pires -
Quando ouço Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Reinaldo Azevedo, Clóvis de Barros, Leandro Karnal, Flavio Morgenstern, Mario Sérgio Cortella, Bruno Garschagen, Alexandre Borges e uma porção de outros intelectuais que têm um repertório infinito de referências e que parece que viveram uma vida anterior só lendo livros, fico agoniado. Nunca terei condições de “alcançá-los”, tenho menos tempo de vida do que livros pra ler… e me sinto um verdadeiro mané.
 
Pausa pra quem derrubou o disjuntor: não estou fazendo julgamento de valor de nenhum dos nomes que citei, de suas convicções, profundidade ou grau de conhecimento. Não venha com mimimi tipo “Ah, comparou o Olavo com o Karnal”. Não estou comparando, estou apenas os usando como exemplo de gente que argumenta com profusão de citações de autores. E acho um saco ter de explicar isso.
 
Mas vamos lá. Tentando encontrar uma válvula de escape para aliviar essa angústia, acabei fazendo um paralelo.
 
Você já ouviu falar de Freestyle Football?

Dê uma olhada:

O Freestyle é um esporte, que tem mais a ver com malabarismo que outra coisa, onde um indivíduo faz miséria com a bola. São chamados de “atletas do asfalto” e exibem-se pelo mundo. Assistindo a suas exibições, tive uma ideia: os intelectuais que citei, e os não citados, são praticantes do Freestyle. Quando dominam a bola é um espetáculo, ficamos embasbacados com sua habilidade, parece mágica o que eles fazem… Não dá pra fazer como eles, e se você tentar tirar-lhes a bola, cairá de bunda no chão.
 
Agora, experimente colocá-los para jogar uma partida de futebol de verdade, num time profissional. Coloque-os lá na ponta esquerda, no ataque, e veja o que acontece. Provavelmente nada que um jogador mediano não faça. Aquela habilidade fantástica que nos maravilha, não se aplica ao jogo real, onde a consciência de equipe, a obediência tática, a preparação física, a visão de jogo, a interação com os companheiros é que fazem o craque.
 
O Freestyle inspira um Neymar a criar jogadas e dribles maravilhosos, mas é só isso. Inspiração. Fragmentos de genialidade que alguém tem de aplicar em seu dia a dia.
 
Um jogador profissional de futebol toma um olé de um praticante de Freestyle. Mas um craque do Freestyle pouco ou nada faz num time profissional.
 
Agora vindo ao nosso mundinho: bote um desses intelectuais para carregar o piano, para assumir um cargo no executivo ou no legislativo, para dirigir uma organização, para liderar uma equipe… E você verá um sujeito normal, que erra, que toma decisões medíocres, que tem limitações, angustiado porque toda aquela sua habilidade maravilhosa tem pouca aplicação no campo onde se joga o jogo real.
 
Mas são lindos de se ouvir e ler.
 
Eu só jogo um futebolzinho sofrível, de freestyle não sei nada, me limito a ficar observando e aplaudindo os craques, de boca aberta. Depois arregaço as mangas e parto para meu jogo onde, em muitos aspectos, sou infinitamente melhor que eles.
 
Há espaço para os que brilham e os que carregam os tijolos. A sociedade precisa de todos, e um precisa do outro.
 
Por isso, meu caro, minha cara, pé quente e cabeça fria. Você aí no seu pedaço tem seu valor, é indispensável, e faz coisas que os malabaristas do Freestyle jamais fariam.
 
É isso que acalma minha angústia.