Artigos Café Brasil
Democracia, Tolerância e Censura
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O que distingue uma democracia de uma ditadura é a ...

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O dia seguinte
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Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

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Fact Check? Procure o viés.
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Investigar o que é verdade e o que é mentira - com base ...

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O impacto das mídias sociais nas eleições
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Baixe a pesquisa da IdeiaBigdata que mostra o impacto ...

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631 – O valor de seu voto – Revisitado
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Mais discussão de ano de eleição: afinal o que é o ...

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629 – Gramsci e os Cadernos do Cárcere
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628 – O olhar de pânico
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LíderCast 125 – João Amoêdo
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Decidimos antecipar o LíderCast com o João Amoêdo ...

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LíderCast 124 – Sidnei Alcântara Oliveira
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Segunda participação no LíderCast, com uma história que ...

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LíderCast 123 – Augusto Pinto
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Empreendedor com uma história sensacional de quem ...

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046 – Para quem vai anular o voto
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Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

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Confraria Café Brasil
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Videocast Nakata T02 10
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Júlio de Mesquita Filho e a contrarrevolução cultural
Jota Fagner
Origens do Brasil
A ideia de concentração hegemônica não é exclusividade de Gramsci, outros autores de diferentes espectros ideológicos propuseram caminhos parecidos. Júlio de Mesquita Filho é um deles É preciso ...

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Imagine uma facada diferente
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Imagine Fernando Haddad sendo vítima de uma tentativa de assassinato. Por um ex-militante do DEM ou do PSL, no mesmo dia em que Bolsonaro quase morreu pelas mãos de um ex-PSOL. Primeiramente, os ...

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Uma discussão sobre inteligência artificial na educação
Mauro Segura
Transformação
Uma discussão sobre os benefícios que as novas tecnologias podem trazer para a educação brasileira. Mas será que estamos preparados para isso?

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A burocracia e a Ignorância Artificial
Henrique Szklo
O Estado brasileiro, desde 1500, tem se esmerado em atravancar qualquer mecanismo da administração pública com um emaranhado de processos burocráticos de alta complexidade, difícil interpretação ...

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Cafezinho 107 – O voto proporcional
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Seu voto, antes de ir para um candidato, vai para um ...

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Fake News são como ervas daninhas, não se combate ...

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Cafezinho 104 – A greta
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Dois meio Brasis jamais somarão um Brasil inteiro.

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Fogo No Rabo

Fogo No Rabo

Luciano Pires -

Ajeitando minha caixa postal encontrei um e-mail antigo de um leitor, o Ignácio. Um e-mail alegre que merece ser reproduzido:

“Recebo semanalmente suas mensagens, e vou tomar a liberdade de lhe informar que hoje recebi o resultado de minha prova de vestibular para a Universidade Federal Fluminense para o curso de Física. Entre cerca de 450 candidatos fui classificado em 37º lugar. Tenho 59 anos e continuo acreditando que, como você, todos devemos ter sonhos e tentar transformá-los em realidade.”

Enquanto eu lia o e-mail do Ignácio chegou mais um, desta vez de minha amiga Sibele. Olha só:

“Desde criança eu dizia que quando crescesse queria ser cientista. Mas na época do vestibular, quando eu dizia que ia fazer engenharia química, falavam que o que dava grana era informática, pesquisador estava fadado a morrer de fome dando aulas etc. Assim, passei para engenharia eletrônica, odiei e mudei pra arquitetura. E por mais de vinte anos trabalhei em algo muito interessante, intelectualmente desafiador, mas que nem de longe se parecia com o meu sonho : cientista. Em janeiro de 2008 eu quase pirei de verdade, cheguei a pedir que meu marido me colocasse num hospício. Então a porta se abriu para uma terapeuta holística entrar em minha vida. Sempre achei que isso era coisa de desocupado, mas como ela me estendeu a mão sem cobranças numa hora em que eu realmente estava precisando de ajuda, aceitei. Aos poucos ela me fez recobrar a confiança de que eu ainda era sã e por causa disso tive coragem de me inscrever na seleção do mestrado em polímeros do Instituto de Macromoléculas da UFRJ. Fui aprovada na seleção do mestrado, mas não tinha ainda decidido se ia ou não fazê-lo, pois queria me separar do meu marido e não teria nem tempo nem dinheiro pra cursá-lo. Então a terapeuta sugeriu que eu fosse a uma terapia de cura interior em São Paulo. Decidi ir, mas sem a menor fé de aquilo fosse melhorar algo em minha vida. Quando voltei de lá parecia cinco anos mais nova. Deixei naquele sítio em Atibaia seis anos de depressão e um pacotão de mentiras sobre mim mesma, que me acompanharam por 40 anos –  dentre elas a de que eu era feliz com minha profissão. Na volta me inscrevi no mestrado e, contra todas as previsões, estou me saindo muito bem. Ganhei bolsa CAPES, o carinho de colegas de curso com idade para serem meus filhos, o apoio de poucos colegas da minha idade e a certeza de que há 24 anos eu devia ter seguido meu coração e cursado química –  que eu  amo até hoje.
Perco algumas noites de sono imaginando como vou fazer pra sustentar a mim e a meu filho de seis anos com uma bolsa de estudos de R$ 1.200,00, mas nunca fui tão feliz como agora, quando me vejo estudando e fazendo as coisas com as quais sempre sonhei. Não lamento os 24 anos de atraso, apenas fico grata aos deuses por ter tido a oportunidade de fazer – ainda que tardiamente – o que gosto, o que fui talhada pra fazer, o que me faz feliz.”

Terminei a leitura dos e-mails energizado e com vontade de fazer mais, cheio de esperança. O Ignácio e a Sibele estão reinventando suas vidas, mesmo já maduros. Eu também estou nesta fase, aos cinqüenta e dois anos de idade: reinventando-me. Voltando a sentir o sangue correndo nas veias, indo dormir com a boa ansiedade de chegar logo a manhã para agitar. Despertando com tesão para fazer acontecer. Deve ser assim que o Ignácio e a Sibele estão se sentindo. É assim que eu me sinto. Com fogo no rabo!

Tudo por causa de nossas escolhas, viu?
Nossas. E de mais ninguém.