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Luciano Pires -

Cena 1: Num grupo de cerca de mil pessoas em São Paulo, fazendo passeata contra a Copa do Mundo, alguém decide queimar a bandeira do Brasil. A foto circula pelas mídias sociais, jornais e revistas. No Facebook considero a atitude uma estupidez, coisa de quem confunde o conceito de “nação” com “governo”, e a discussão começa… A maioria dos comentários concorda comigo, mas cerca de 30% argumentam: “melhor queimar a bandeira do que quebrar um banco”, “queimar a bandeira não agride ninguém”, “é apenas um ato simbólico”, “aquilo é só um pano pintado”… A discussão pode ser vista logo abaixo ou através do link http://on.fb.me/1ndSXkx:

 

Cena 2: Formatura da minha filha, num grande teatro em São Paulo, chega o momento mais importante da cerimônia: o juramento. São vários cursos, propaganda, fotografia, design, etc. Um dos estudantes assume lugar no púlpito e lê o juramento, frase por frase. A turma que ele representa, em pé e com o braço direito levantado, repete cada frase. Na terceira turma o representante displicentemente lê o juramento inteirinho de uma vez só e olha para a turma, esperando que repitam. Todos caem na risada, gritos e bagunça. O coordenador pede que ele leia frase a frase, como fizeram os anteriores. O juramento é lido num clima de risos e esculhambação. Antes que o representante do próximo grupo assuma seu lugar, o sub-reitor vai até o púlpito e, severamente, diz: “Este juramento é um compromisso ético com a carreira e o futuro de cada um de vocês! Por favor, levem a sério este que é um dos momentos mais importantes em suas vidas.”

Deu para ouvir o silêncio de perplexidade, mas também um início de vaia, que acabou não se confirmando. E a cerimônia continuou.

Depois fomos comemorar numa pizzaria. Eu era o mais velho à mesa. Alguém lembrou a fala do sub-reitor: “Onde já se viu? Estávamos em festa e aquele cara não tinha nada que ir lá dar aquela dura! Absurdo!” Eu disse que ele estava certo, que aquilo era uma solenidade, que aquele momento era importante e que a zona da molecada apenas indicava que não estavam nem aí com compromissos. Só queriam saber da festa.

Quase fui expulso da pizzaria sob acusação de “velho”, “ultrapassado” e outras coisas. Como era família, não fui chamado de “conservador”, “coxinha”,”fascista” e “preconceituoso”.

Muito bem. O que é que essas duas cenas têm a ver? Ambas lidam com o conceito de mitos e ritos, do solene, coisas que têm sido sistematicamente destruídas pelo tal “relativismo”. Ambas lidam com valores morais na forma de símbolos que a sociedade cria para definir o que é importante, o que é bom, o que é ruim.

Aí vem o progressista: “Bom ou ruim pra quem, cara pálida? O que é bom pra você pode ser ruim pra mim”.

E assim a bandeira do Brasil pode ser o símbolo da pátria, que desperta a sensação de respeito, pertencimento e orgulho. Ou pode ser um pano pintado que serve para ser incendiado.

O juramento pode ser o momento emocionante que define valores que guiam o comportamento ético na vida. Ou um amontoado de frases velhas que tem mais é que ser esculhambado.

A bandeira e o juramento podem tanto ser valores morais que merecem reverência e respeito, quanto babaquices de gente velha, que têm que ser ridicularizadas. Escolha.

A facilidade com que descartamos valores morais, basicamente por ignorância, apenas reforça a crença de que eles podem ser substituídos por objetos, o que destrói qualquer compreensão sobre o que é bom e o que é ruim. Quem vive seus valores agoniza diante de escolhas morais. Os que deixam esses valores apenas pairarem sobre suas vidas, nem percebem que tais escolhas precisam ser feitas.

Para esses, a bandeira e o juramento são apenas objetos.

O que explica o Brasil de hoje.

Luciano Pires