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“Se fôssemos bons em tudo não necessitaríamos trabalhar em equipe.” (Gisela Kassoy)   É comum qualificarmos as empresas como “organismos vivos”. E, sob esta ótica, comparar seu funcionamento ...

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Eu tenho a força!

Eu tenho a força!

Luciano Pires -

“Acabo de ler seu livro ‘Brasileiros Pocotó’, baixado na internet em epub, gostaria que me informasse uma conta para depositar o valor da aquisição de um exemplar. Prazerosa a leitura… façamos melhor, lhe pagarei por 5 exemplares, caso me permita compartilhar com alguns amigos o epub que tenho. Grande Abraço”

Esse recado recebi de um leitor, o Fransuá, que obteve uma cópia ilegal de meu livro, provavelmente pelo site lelivros.red, que está pirateando livros de vários autores. Esse site está hospedado fora do Brasil, e seus donos se dizem democratizadores da cultura: “Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, respondeu um dos representantes do site ao jornal Estadão, por e-mail.

E aí? Pirataria ou democratização da cultura?

Sou um autor independente, sem estrutura de editora por trás. Meus e-books são vendidos por 7, 10 ou 14 reais, e de quando em quando entram em promoção por até 1,99, além de estarem no esquema de empréstimo da Amazon. Só falta eu dar de graça… Quem pirateia meu trabalho, não remunera esse meu esforço independente.

Há quem ache que a pirataria faz bem para o autor, pois expõe sua obra a um maior número de pessoas, tornando-o conhecido e gerando ganhos em shows, palestras e outras formas que não seriam possíveis se sua obra não tivesse sido popularizada pela pirataria. Portanto, pirateie-se!

E há quem – como eu – ache que o direito autoral é sagrado, que o autor tem que ser remunerado por seu trabalho, independente dos ganhos indiretos.

Essa discussão vai longe, mas quero aqui refletir sobre o Fransuá, que baixou meu e-book pirata, ficou tão satisfeito com a leitura que me mandou um e-mail solicitando uma forma de compensar.

E aí o jogo ficou interessante.

Pago por aquilo que me agrega valor. Quanto? Não sei, mas quero pagar!

Estou fazendo um teste há cerca de 30 dias, usando a estratégia do “fiquei satisfeito, quero pagar”. Criei uma forma para que os ouvintes do Podcast Café Brasil, que tem em média 100 mil downloads por episódio, passem a “assinar” o programa, pagando R$ 2,50 por programa baixado. Quatro programas por mês, R$ 10 reais, mais ou menos o que você paga por uma lata de cerveja quente na balada. Não mudei nada no sistema, que continua gratuito, apenas criei um caminho para quem ficou satisfeito e acha que vale remunerar meu esforço. Paga quem quiser, se não quiser, continua recebendo o programa normalmente.

Em 30 dias conseguimos 135 assinantes e estimo que chegaremos a 200. Com adesão de apenas 0,20% da base de ouvintes, obteremos R$ 2 mil reais por mês. Nada mal para quem até 30 dias atrás tinha nada, não é?

Se você quer saber como é, acesse http://www.portalcafebrasil.com.br/tudo-sobre-podcasts/ajude-a-manter/

Agora imagine se 2% decidissem que vale a pena contribuir. Seriam R$ 20 mil por mês! Isso tornaria a operação auto suficiente, sem precisar de lei Rouanet ou patrocínios, sem encarecer o produto com intermediários, simplesmente pela ação consciente de uma minoria dos ouvintes, que viram valor no produto. Uma “conspiração” autor mais ouvinte.

Transfira esse comportamento para todo o universo cultural e você verá que juntos, como ouvintes, leitores ou espectadores independentes, poderíamos revolucionar o mercado ao proporcionar aos autores as condições para que se dediquem de corpo e alma à sua obra.

Cada um de nós, consumidores dos produtos culturais, tem a força para revolucionar o mercado.

Basta agir como o Fransuá, remunerando aquilo que nos gerar valor.

O que você acha disso?