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Efêmeros Heróis

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Luciano Pires -

Quando o Cirque du Soleil estava no Brasil assisti a uma curiosa matéria na televisão. Acho que foi no Fantástico. Os repórteres foram para o interior do Nordeste, até um pobre circo mambembe, daqueles em que o pai é o apresentador, o mágico e o trapezista, a mãe é ajudante do mágico, contorcionista e palhaço e os filhos fazem de tudo um pouco. Lá encontraram o garoto trapezista, que toda noite se apresentava para o distinto público. Magérrimo, feio, mal vestido e com movimentos desengonçados, o rapazola dependurava-se nas alturas e pintava e bordava.

A proposta do repórter era levar o garoto – junto com o pai – para São Paulo, para assistir ao Cirque du Soleil. Mais que isso: iriam apresentá-lo a um dos astros do circo, um dos trapezistas. E o garoto poderia praticar um pouco junto com os profissionais.

A cena da chegada do garoto e seu pai ao Cirque foi emocionante. Não sei se eles conseguiam entender o que estavam vendo. Durante o show, a expressão de deslumbre aumentava a cada número que o grupo de artistas fabulosos realizava.

E, depois do show, o presente. Lá vamos nós para a área de treinamento do Cirque, onde os dois são recebidos pelo astro dos trapézios. Um rapaz bonito, forte, com todos os músculos delineados, evidentemente bem alimentado e feliz. O nosso herói nordestino recebe uma roupa de trapezista de presente, que logo trata de vestir. A roupa não cai bem. É como aquele fenômeno que acontece com os capacetes de obra que – aqui no Brasil – nunca assentam nas cabeças dos peões…

Os dois começam a se exercitar. O rapaz do Cirque com movimentos suaves, levíssimos, de uma beleza que lembrava uma dança. Nosso garoto trapezista com movimentos brutos, fora de sintonia, desequilibrados. Era realmente feio de se ver, principalmente quando o outro mostrava como devia ser feito.

Mas de repente nosso herói brasileiro faz um ousado movimento no trapézio que desperta uma expressão de espanto no trapezista do Cirque. Um movimento difícil, que o garoto executa com segurança. O rapaz do Cirque tenta repetir o movimento e encontra dificuldades. Acha perigoso. E o menino brasileiro diz que fazia aquilo todo dia. Lá no alto…

O trapezista do Cirque tenta outra vez e desiste, com medo de se machucar. E nosso herói – junto com toda a nação brasileira que assistia a matéria – fica orgulhoso. Viu só? Somos capazes de – com nosso talento bruto – fazer coisas que nem os profissionais conseguem.

Continuamos feios. Desengonçados. Mal vestidos. Mal alimentados. Mas vamos lá e surpreendemos… Viva o Brasil!

De volta para casa com seu pai o garoto leva os troféus: a roupa do treino e as histórias pra contar. Um herói efêmero, cuja fama dura tanto quanto os minutos nos quais sua imagem permanece no ar, na televisão. Depois da festa da recepção, dos cumprimentos, de contar e recontar a história, nosso herói vai dormir um sono como talvez nunca tenha experimentado. Acorda no dia seguinte, pobre como sempre foi. Na mesma velha tenda, na mesma velha cama improvisada. E volta ao trabalho de buscar água, consertar a lona, vestir a sapatilha surrada, dar comida aos cabritos e galinhas e fazer as vezes do trapezista desengonçado e do palhaço melancólico que alegram as periferias do Brasil…

E tudo volta ao normal.

Essa história do brasileiro pobre que desenvolve a duras penas um talento natural e que um dia serve como atração da mídia para depois voltar à realidade como um efêmero herói, não é familiar?

Claro que sim. Repete-se a cada quatro anos.

Desta vez está sendo em Pequim.