Quando o Cirque du Soleil estava no Brasil assisti a uma curiosa matéria na televisão. Acho que foi no Fantástico. Os repórteres foram para o interior do Nordeste, até um po
A proposta do repórter era levar o garoto – junto com o pai – para São Paulo, para assistir ao Cirque du Soleil. Mais que isso: iriam apresentá-lo a um dos astros do circo, um dos trapezistas. E o garoto poderia praticar um pouco junto com os profissionais.
A cena da chegada do garoto e seu pai ao Cirque foi emocionante. Não sei se eles conseguiam entender o que estavam vendo. Durante o show, a expressão de deslum
E, depois do show, o presente. Lá vamos nós para a área de treinamento do Cirque, onde os dois são recebidos pelo astro dos trapézios. Um rapaz bonito, forte, com todos os músculos delineados, evidentemente bem alimentado e feliz. O nosso herói nordestino recebe uma roupa de trapezista de presente, que logo trata de vestir. A roupa não cai bem. É como aquele fenômeno que acontece com os capacetes de o
Os dois começam a se exercitar. O rapaz do Cirque com movimentos suaves, levíssimos, de uma beleza que lem
Mas de repente nosso herói
O trapezista do Cirque tenta outra vez e desiste, com medo de se machucar. E nosso herói – junto com toda a nação
Continuamos feios. Desengonçados. Mal vestidos. Mal alimentados. Mas vamos lá e surpreendemos... Viva o Brasil!
De volta para casa com seu pai o garoto leva os troféus: a roupa do treino e as histórias pra contar. Um herói efêmero, cuja fama dura tanto quanto os minutos nos quais sua imagem permanece no ar, na televisão. Depois da festa da recepção, dos cumprimentos, de contar e recontar a história, nosso herói vai dormir um sono como talvez nunca tenha experimentado. Acorda no dia seguinte, po
E tudo volta ao normal.
Essa história do
Claro que sim. Repete-se a cada quatro anos.
Desta vez está sendo em Pequim.
Efêmeros Heróis
- Qua, 31 de Dezembro de 1969 22:00
- Luciano Pires
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