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Deseleições brasileiras

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Luciano Pires -

Enquanto escrevo, ouço pelo rádio que durante a sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias em Brasília o pastor-deputado Marcos Feliciano mandou prender um manifestante que tumultuava o ambiente. O manifestante xingou o parlamentar de racista e, ao ser detido pelos seguranças, reagiu aos gritos: “Estou sendo preso porque sou gay!”.

Alguém tem que avisar o rapaz que ele foi preso por insultar outra pessoa de racista. Isso é crime. Mas não é esse o tema deste texto. Esse acontecimento é apenas mais um sintoma de um problema sério que acomete o cenário político brasileiro. Vemos uma reação, tão legítima na intenção quanto estúpida na forma, contra a presença do pastor-deputado na Comissão de Ética, mas ninguém reage à presença de dois mensaleiros julgados e condenados, José Genoino e João Paulo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça, a mãe de todas as comissões.

Nóis…qui invertemo as coisa.

Estamos pagando o preço por eleger para cargos públicos uma porção de vigaristas, enganadores, bandidos, incompetentes e ladrões. Digo “uma porção” porque, acredite, existe outra porção composta de gente de bem.

E vira e mexe encontro pessoas desiludidas, arrependidas de seus votos, dizendo-se enganadas. Dá uma sensação de impotência…

Então tive uma ideia. Procurei no Google e descobri que outras pessoas já tiveram, o que é muito bom! Quero propor aqui que sejam criadas as Deseleições Brasileiras. A cada 2 anos os eleitores teriam a oportunidade de votar para eliminar os políticos que julgarem indignos dos mandatos. Teremos assim a oportunidade de dar o troco, de mostrar a eles quem manda… Que tal? Desvotar?

Aí alguém dirá que isso representará mais feriados, mais mobilizações, um custo imenso. Claro que sim! Mas o custo das deseleições será muito menor que o prejuízo que esses bandidos causam para o país.

Teremos a oportunidade de nos arrepender e tomar uma ação imediata. Prometeu e não cumpriu? Está deseleito. Roubou, desviou, enganou? Deseleito. Não fez o que tinha que ser feito, não respeitou a lei, não se comportou de acordo com o mandato que ganhou de nós? Deseleito. Sem ter que esperar denúncias e investigações, sem ver a lerdeza da justiça e os truques dos advogados mantendo impunes os criminosos! Terminou a apuração, rua! Simples assim!

Já pensou? Deseleições Brasileiras, com urnas eletrônicas ou sem, horário político nas rádios e televisões, campanhas e o que mais eles quisessem, como uma espécie de direito prévio de defesa. Eu adoraria ver aquela turma apavorada, tentando mostrar que nosso voto valeu a pena.

Que delícia. Sem votos nulos, sem votos brancos, com baixíssima abstenção… Quem é que vai perder a chance de dar o troco?

Ah, como é bom sonhar…

Luciano Pires