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Conectando

Conectando

Luciano Pires -

Em meus artigos anteriores, tratei da “conectividade” como uma solução possível para o Brasil: milhares de pequenos abnegados conectando-se para transformar seus esforços de formiguinhas numa avalanche de ações capazes de transformar a sociedade.
Pois nesta semana encontrei um modelo que demonstra claramente como a conectividade pode mudar a vida das pessoas.
Estive em Rolândia, uma pequena cidade próxima de Londrina, no norte do Paraná, para realizar uma palestra para a Corol, uma cooperativa agroindustrial que foi fundada há pouco mais de quarenta anos. Quem atua no segmento agrícola conhece o trabalho das cooperativas. Mas quem está fora do segmento  não faz idéia do que esse pessoal consegue, usando a conectividade. A Corol nasceu em Rolândia. Seu objetivo foi juntar as forças dos pequenos produtores agrícolas para abraçar oportunidades que, individualmente, nenhum deles poderia conseguir. E ao longo de quarenta anos aqueles pequenos agricultores construíram um negócio que alcança centenas de milhões de dólares de faturamento anual. São hoje mais de 7 mil cooperados. A Corol tem  1.400 funcionários diretos e mais 1.600 no campo, oferecendo aos cooperados,  seus clientes-donos, desde consultoria com técnicos e agrônomos para determinar as melhores soluções para as culturas da região, até um banco, com linhas de crédito e até mesmo cartão de crédito internacional. A cooperativa tem comitês de tecnologia e educação, femininos e masculinos, que discutem temas de ponta relacionados ao crescimento dos negócios e das pessoas. A Corol abrange 34 municípios e tive a oportunidade de visitar sua usina de processamento de cana para produção de álcool e açúcar. Visitei também uma moderna fábrica de suco concentrado de laranja, que exporta para todo o mundo. Uma fábrica totalmente automatizada, tocada por 12 funcionários por turno… Para visitar esses empreendimentos, desloquei-me pela região em meio a plantações de trigo, laranja, uva e cana-de-açúcar, com índices de produtividade inacreditáveis. Uma região linda, onde a gente respira energia e sente claramente a força que o agronegócio  tem no Brasil. E, conversando com os técnicos, ouvi repetidamente um novo termo: agroenergia. Estão criando meios inovadores de gerar energia e o segredo é: conectividade. O milho plantado gera o farelo que alimenta os bois, cuja carne é exportada. Da casca da uva e da laranja são tirados óleos e produtos para outras indústrias. A indústria moveleira da região fornece seus resíduos – serragem –  como combustível para as caldeiras que geram a energia para a fábrica de suco de laranja. O bagaço da cana produz  energia para a própria usina. Os resíduos que eram poluidores hoje são aproveitados. Um frigorífico será instalado ao lado da usina de cana, usando energia excedente produzida pela própria usina. Tudo conectado. As culturas de grãos conectadas com a pecuária, conectada com a indústria, conectada com a revenda de bens de consumo, conectada com as linhas de crédito, conectada com as pesquisas de novas tecnologias, conectada com as empresas de logística, conectada com… O que mais você puder pensar. O resultado: um pequeno produtor rural, ao associar-se à Corol, transforma-se num agroindustrial. Tem acesso a tecnologias avançadas. Conta com  linhas de crédito. Exporta. Transforma-se, enfim, num empresário muito diferente daquele pequeno produtor rural que lutava sozinho por seu negócio. E a comunidade mostra claramente o reflexo desse esforço: a região é linda. É só andar pelas ruas para sentir a força econômica do lugar. Basta conversar com os técnicos da Corol para ouvir planos muito, mas muito agressivos de crescimento. E tomei ali um café, um suco de uva e um de laranja como nunca experimentei… Quer saber mais? Visite www.corol.com.br . Aqueles brasileiros estão trabalhando no desenvolvimento de técnicas que revolucionarão a questão ambiental e de geração de energia. Com certeza, vão multiplicar as exportações do Brasil. No entanto, há quarenta anos eles eram apenas pequenos produtores rurais, que um dia encontraram o caminho: conectaram-se. E hoje não têm mais limites para seus sonhos.
Meninos, eu vi.
Conectividade.