Artigos Café Brasil
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Nós brasileiros temos um talento inigualável para ...

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Pânico nas hostes
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Numa semana de tirar o fôlego surge uma certeza: o ...

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Vivemos um momento histórico no Brasil, uma transição ...

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Correndo da crise
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Correndo da Crise. Isca Intelectual de Luciano Pires ...

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LíderCast 000 – Ricardo Jordão Magalhães
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Este é o episódio ZERO do LíderCast, um programa sobre ...

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44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
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Neste episódio Luciano fala das empresas (e pessoas) ...

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041 – Em busca do lucro perdido 3 – O Lucro saudável
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Neste episódio Luciano discute o que vem a ser o "lucro ...

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Não se iludam
Labi Mendonça
Iscas Anarquiscas
SOMOS TODOS HONESTOS? Não se iludam, tudo tem uma origem, um motivo, uma gênese. Escuto e leio depoimentos indignados, daqueles que julgam serem os baluartes da probidade e da retidão… Vejo ...

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Ancestrais
Jorge Antonio Monteiro de Lima
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“Você anda como seu avô, tem o mesmo olhar que ele” dizia uma senhora a seu neto; “Você é igualzinho a seu pai, por isto ele te irrita tanto” bradou a mãe inconformada; ...

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Difícil até de dar nome
Jorge Antonio Monteiro de Lima
Iscas Olhos&Alma
Fica no ar aquele aperto no peito… Uma sensação estranha, difícil de nomear, algo indefinido, que não sabemos o que é, nem o que vai dar. Tontura, indecisão, fome de barriga cheia, tudo ...

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100 dias e nada a comemorar
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
100 dias e nada a comemorar  Dilema, impasse, trade-off ou, simplesmente, escolha?   “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.” (Provérbio da língua portuguesa, utilizado como refrão ...

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Competência Moral

Competência Moral

Luciano Pires -

Durante um almoço antes de uma de minhas palestras, meu amigo Nelson Bastos conta que foi aos Estados Unidos nas férias. No programa, “assistir com meu filho a um jogo de basquete da NBA em Orlando, no Amway Arena, um espetacular ginásio de esportes”. Ainda no Brasil, Nelson comprou os ingressos pela internet e embarcou para Nova Iorque. No dia de ir para Orlando, uma nevasca impediu o vôo e eles perderam o jogo. Diante do inevitável, Nelson fez o que todos nós brasileiros fazemos: conformou-se.

Alguns dias depois, já de volta ao Brasil, ele recebe um email da Amway Arena dizendo que perceberam que ele não foi assistir ao jogo. E gostariam de saber a razão. Surpreso, Nelson relatou o acontecido. Mais surpreso ainda, recebeu uma resposta dizendo que o ingresso que ele havia comprado incluía um seguro para casos assim. E perguntando:

- O senhor gostaria de utilizar o seguro? 

Nelson concordou e recebeu pelo correio um cheque de cerca de 120 dólares, cobrindo o prejuízo com o qual ele estava conformado.

Putz! Para nós que temos que sair no tapa para tirar o bicão da cadeira numerada que adquirimos nos principais estádios do Brasil pagando uma pequena fortuna; que temos que usar um banheiro imundo; que pagamos uma nota para um guardador de carros não riscar nosso automóvel; que corremos risco de vida a cada vez que vamos a um estádio, o relato do Nelson é peça de ficção. Científica.

Essa história tem muito a dizer com relação à competência técnica e profissional dos norte americanos. Alguém lá criou um programa capaz de perceber que o Nelson não apareceu para ver o jogo. Provavelmente o mesmo programa encontrou os dados dele no registro feito para a compra dos ingressos e disparou um email para averiguar a razão. E diante da explicação (que deve ter sido lida por uma pessoa de carne e osso), alguém não hesitou em oferecer o ressarcimento, mesmo sem o Nelson pedir. Aliás, ele desconhecia o lance do seguro… Não é fantástico?

Pois é. Mas sabe o que realmente me chamou a atenção? Não foi a competência técnica ou profissional. Foi o que eu chamo de “competência moral.”

Alguém tomou a decisão moral de ressarcir quem foi prejudicado, o que de certa forma é de se esperar. Mas a verdadeira profundidade da decisão moral foi: não vamos esperar que a pessoa reclame, vamos nos antecipar e avisar que ela tem direitos e perguntar se quer valer-se deles.

Você consegue imaginar uma situação assim aqui no Brasil?  Deixe de lado a questão estrutural, se temos ou não computadores e gente capaz para implementar um processo idêntico. Concentre-se na pergunta que realmente interessa: temos a competência moral para respeitosamente avisar a pessoa que ela tem um direito? Ou vamos optar pelo velho: “Deixa quieto. Ele nem vai perceber…”?

Pois é. Competência técnica e profissional tem jeito, o dinheiro pode comprar. Mas competência moral, ah, isso vem lá de um lugar que o dinheiro não alcança.
Por isso vai demorar um pouco pra gente chegar lá.

Luciano Pires