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Cobertor de solteiro

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Luciano Pires -

Todo ano os Correios promovem uma campanha de Natal, incentivando crianças a escreverem para o Papai Noel pedindo um presente. Essas cartas são distribuídas pelas agências, e qualquer um de nós pode escolher uma ou mais cartinhas e mandar o presente que a criança solicitou. Eu já fiz isso e é sempre uma surpresa. Existem milhares de cartas em que as crianças pedem videogames, computadores, ipads e outros objetos de consumo. Mas em meio a elas, outras milhares que são um soco no estômago.

No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, um dos participantes publicou esta semana a cartinha que ele pegou. E que diz assim:

“Querido Papai Noel, me chamo Priscila da Silva, tenho dez anos estou no quinto ano, adoro estudar estou escrevendo para minha prima Amalia, ela tem 8 anos mora com a minha tia e meu primo, como ela é especial fica na cama deitada ou na cadeira de roda. Gostaria de ganhar 2 cobertor de solteiro um para mim e um para ela. Vai ajudar muito neste inverno foi bem frio e minha tia não tem condições de comprar porque vive de doação da igreja e do benefício que ela recebe. Muito obrigado, tenha um natal iluminado.”

Vi a imagem da cartinha e li o texto no exato momento em que recebia a informação que o ex-ministro Geddel de Lima entregava sua carta de demissão para Temer, em meio a um escândalo que envolve um apartamento de 3,5 milhões de reais, que na verdade deve ser apenas a ponta do iceberg.

Ir de um post ao outro é como sair de uma sauna e cair numa piscina de gelo, um choque tremendo entre duas realidades, ambas revoltantes.

De um lado as vítimas. No meio eu. De outro lado os carrascos.

De um lado um sonho: um cobertor. De solteiro. Como presente de natal.

De outro a ganância: riqueza, poder, não importa como.

E eu no meio: o que faço?

Posso correr nos Correios e mandar um cobertor também. Ou dez. Ou cem. Posso vir aqui no Face ou ir domingo na avenida Paulista manifestar minha indignação contra os corruptos. Legal, já é alguma coisa, mas nada disso muda a realidade. Nada disso resolve a vida da Priscila. Muito menos a dos Geddéis.

É preciso ir mais fundo, mais longe, mais forte. É preciso recuperar o respeito. Perdemos o respeito por nós próprios, pelas instituições, pela lei, pelas autoridades. Estamos perdidos, como torcidas adversárias se matando enquanto o estádio pega fogo. O que fazer?

Mais.

Se o que você consegue fazer é reclamar no Face, reclame mais. Se consegue se candidatar a um cargo para representar os cidadãos, candidate-se mais. Se só consegue ir pra avenida na manifestação, vá mais. Se consegue ir a Brasília pressionar o deputado, pressione mais. Se só consegue doar seu tempo, um cobertor, doe mais. Se só consegue bater panelas, bata mais. Grite mais, reclame mais, mobilize mais gente, encha mais o saco deles.

Se você só consegue ser honesto, seja mais.

A cartinha da Priscila é um grito por respeito, um soco no estômago de quem tem sonhos de conquistar o mundo, de se transformar naquele sucesso estrondoso, de ter muito, de ser como aquele bilionário da capa da revista. Para a Priscila, o Natal será feliz com um cobertor de solteiro.

E os Geddéis? Que também fiquem felizes no Natal ao receber um cobertor de solteiro.

Dentro de uma cela fria em Curitiba.