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Vou contar umas historinhas do Brasil. E no final, farei uma pergunta:

 

História 1: Mariana Costa de Jesus, de 5 anos, morreu no Hospital Infantil de Duque de Caxias, no dia 15 de fevereiro, após ter sido estuprada e espancada pelo padrasto, Marco Antonio Nunes Gomes. Detalhe: ela foi levada ao hospital pelo próprio padrasto… O corpo de Mariana ficou abandonado uma semana no Instituto Médico Legal até ser reconhecido pelo bisavô, que disse à polícia que o padrasto da menina era um monstro que vivia na Favela do Lixão, em Duque de Caxias. Segundo o bisavô, Marco Antonio costumava espancar a menina. Algum tempo depois, a polícia encontrou o corpo de Marco Antonio abandonado na rua. Ele teria sido linchado pela população revoltada com o crime. E agora, o corpo abandonado no Instituto Médico Legal é o dele. Segundo a polícia, a mãe do acusado, revoltada com a morte da menina, se recusou a reconhecer o corpo do filho. Prefere que ele seja enterrado como indigente.

 

História 2: Társio Wilson Ramirez conheceu há dez anos Jerome, um dos franceses da ONG Terra Ativa, que se tornou professor e amigo dele. O garoto de infância humilde ganhou uma oportunidade na organização: ele comandava um projeto de educação envolvendo 50 crianças pobres, e graças à ONG, tinha uma bolsa e cursava faculdade de administração de empresas.
Segundo as investigações, Társio estava desviando dinheiro da entidade e o crime teria sido descoberto pelo contador. Para a polícia, esse foi o motivo para que Társio e outros dois bandidos contratados por ele matassem a golpes de faca os franceses Cristian e Delfine Doyere, e Jerome Four, no Rio de Janeiro.

 

História 3: Em Mauá (SP), Paulo André dos Santos chega em casa e ao abrir o portão da garagem, dois indivíduos anunciam um assalto, repetindo o que havia ocorrido uma semana antes. Apavorado, o rapaz joga-se no chão. Um dos assaltantes atira e a bala atinge Vitória Gabrielly Silva de Carvalho de 3 anos, sobrinha do rapaz assaltado. Vitória estava no colo do avô, que tinha vindo abrir a porta para o filho. A menina morre pouco depois no hospital.

 

História 4: João Hélio, um menino de 6 anos, preso ao cinto de segurança do automóvel, é arrastado por sete quilômetros de ruas do Rio de Janeiro. O carro havia sido roubado da mãe do menino, que não teve tempo de soltá-lo do cinto de segurança. Os ladrões, entre eles um menor, arrancaram com o veículo, mesmo com os gritos da mãe pedindo que esperassem ela soltar o garoto. O menino morreu de forma estúpida e os bandidos não pararam o veículo mesmo com os avisos dos populares que assistiram estarrecidos à cena.

 

História 5: Durante um evento em Ipojuca (PE), o presidente Lula mais uma vez criticou os que defendem a redução da maioridade penal. Segundo ele, é um engano pensar que o problema da violência se resolve punindo. E coroou sua fala com uma frase antológica: “Muitas vezes a violência é questão de sobrevivência”.

 

História 6: Bandidos capturam e incendeiam ônibus no Rio de Janeiro, com os passageiros dentro. Vários passageiros conseguem escapar, mas o saldo até o momento é de nove mortos. O ônibus era de outro estado e estava de passagem pelo Rio, quando foi atacado pelos bandidos, que aparentemente cometeram o ato por vingança ou protesto contra ações de repressão ao crime que vinham sofrendo.

 

História 7: O Supremo Tribunal Federal retomou dia primeiro de março o julgamento de recurso destinado a garantir o foro privilegiado a “agentes políticos” processados por improbidade administrativa, mesmo que já tenham deixado o cargo. Dos 11 ministros do STF, seis já votaram a favor dos políticos e um contra. Restam votar quatro ministros. A medida, se aprovada, impedirá que ministros de Estado e o presidente da República sejam fiscalizados por procuradores na primeira instância da Justiça, como ocorre hoje. Além de paralisar os processos em andamento, a decisão do STF permitirá que administradores já condenados possam pedir a restituição de valores que foram obrigados a devolver aos cofres públicos. Cerca de 10 mil inquéritos e ações judiciais contra autoridades acusadas de corrupção podem ser arquivados. Os defensores do foro privilegiado querem que presidentes da República, ministros, governadores e prefeitos envolvidos em corrupção não sejam mais atingidos pela lei.

 

Quer mais? Posso continuar indefinidamente, pois temos historinhas para uma enciclopédia. Mas eu cansei. E vou logo pra pergunta.

– Das sete histórias apresentadas, qual você classificaria como causa e qual como conseqüência?

Ei, calma, ô! Perguntar não ofende…