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Luciano Pires -

Ando cada dia mais abismado com a quantidade de gente incapaz de entender o que lê, o que ouve e o que vê. É impressionante. E uma das coisas que mais me chama a atenção é o tratamento do mundo, dos acontecimentos, das interações, de forma maniqueísta, sempre nos extremos. Ou é isto ou é aquilo; se gosta disto, não gosta daquilo; se é a favor disto, é contra aquilo. E deu. Parece que as pessoas não se dão conta de que a vida é um processo, tratam tudo como o aqui e agora.

No mundo dos negócios, a definição de “processo” é algo como “uma sequência de procedimentos conectados e interdependentes que, a cada estágio, consomem um ou mais recursos para converter insumos em resultados. Esses resultados então servem como insumos para o próximo estágio, até que um objetivo ou resultado seja alcançado.”

Viu como é complexo? A vida é assim também…

Alguém que dá uma opinião deve tê-la baseado em suas referências, em seus valores, em suas leituras – os insumos -, para construí-la – o resultado. Desconhecer essas referências é o primeiro passo para fazer julgamentos apressados sobre o autor da opinião e criticar sua obra de forma maniqueísta.

Eu produzo há dez anos o Podcast Café Brasil, semanalmente publicando um episódio onde trato da vida, falo de arte, de política, de sociedade, de comportamento. E há muito tempo me dei conta de que esse meu projeto tem de ser apreciado como um processo. É um programa por semana, e esse programa específico não representa a totalidade do Café Brasil. Para poder dizer “gosto” ou “não gosto”, a pessoa tem de ouvir vários episódios. Tem de aprender um pouco sobre a linguagem que uso, sobre as ideias que defendo, sobre a forma como cada assunto semanal está ligado a um propósito maior. Quem não faz assim, não consegue apreciar o processo, só consegue apreciar um programa.

O mesmo tenho usado em minha vida para apreciar os acontecimentos, o trabalho de outras pessoas, as ideias com as quais interajo. Recebi um texto de alguém? Se julgar interessante, vou procurar saber dessa pessoa. Vou ver sua página nas mídias sociais, as referências na Wikipedia, o site ou blog que ela mantém. Vou ver os tuítes que ela retuíta e os posts que ela compartilha (esses são matadores!). Vou querer saber um pouco de sua biografia, de suas influências, de onde ela veio e para onde ela vai. Quero saber de seus valores e convicções, de como constrói seu raciocínio. Vou ler mais textos, assistir mais vídeos, ouvir mais de seus trabalhos, para só depois me atrever a tirar alguma conclusão.

Meus longos anos de existência me ensinaram que a vida deve também ser vista assim, como um processo.

O que aprendi com meus podcasts, por exemplo, é que na semana que vem tem outro. O que não discuti neste, posso discutir no próximo, o que errei neste, posso corrigir no próximo, o que faltar neste, posso complementar no próximo. O mundo não vai acabar na semana que vem, nada pode ser definitivo. E talvez em algum momento eu deva fazer aquela afirmação libertadora:

– Eu estava errado, mudei de ideia.

É isso que tenho tentado trazer para minha vida: a visão como um processo, como algo contínuo, onde quase nada permanece imóvel, onde as pressões dos contextos, as influências, a exposição contínua às ideias nos transformam. Quem já releu um livro ou reviu um filme com o qual teve contato muitos anos atrás sabe do que estou falando. O livro e o filme são os mesmos, mas eu sou outra pessoa. A leitura de hoje é diferente daquela de anos atrás, são novas descobertas e algumas decepções.

Eu mudo com o mundo. A percepção sobre meu trabalho muda com o crescimento de meus leitores e ouvintes. E isso vale para a forma como aprecio ou critico o trabalho e a opinião das pessoas com as quais tenho contato.

A vida é um processo. As coisas são mais complexas do que achamos que são.

Só a burrice é estática.