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Acabo de retornar de uma daquelas viagens que renovam minha esperança no Brasil. Estive em Patos de Minas, palestrando no II Seminário Agroceres de Economia e Negócios. O evento fez parte da programação da Fenamilho 2013, organizada pelo Sindicato dos Produtores Rurais e que acontece naquela cidade desde 1959. Hoje é considerada a maior festa de Minas Gerais. São 10 dias de atrações em 130 mil metros quadrados, numa cidade que tem pouco mais de 130 mil habitantes. É impressionante. A gente caminha pela área do evento, repleta de estandes de empresas do agronegócio e empreendedores regionais e vê claramente a riqueza da economia da região. De novo: impressionante!

O seminário discutiu o agronegócio, especialmente a cultura do milho. E o que vi ali foi a repetição do que eu havia visto uma semana antes em Caxias do Sul, no Seminário Transpodata. Dados fantásticos sobre o aumento da produtividade e, especialmente, o potencial de crescimento dos negócios. E no final a mesma conclusão: apesar de todo o potencial, não se espera grandes saltos de crescimento, pois não existe nem capacidade de armazenamento nem de transporte para escoar a safra. O agronegócio brasileiro é imbatível até a porteira. Dali para fora é um desastre logístico que derruba nossa competitividade e limita o crescimento. Um desastre de planejamento e execução, de falta de estradas, ferrovias, hidrovias, portos e tudo aquilo que há 40 anos reclamamos. As prioridades dos governantes são outras.

Após minha palestra participei de uma rodada de debates e uma das perguntas lançadas para a mesa foi sobre a falta de mão de obra qualificada em várias frentes. Como suprir essa deficiência? Na minha resposta, eu disse mais ou menos o seguinte:

“Se vocês forem esperar pelo governo, jamais resolverão o problema da formação da mão-de-obra. Lamento, mas a solução vai implicar em mais custo para vocês, que julgo impossíveis de serem evitados. Vocês tem que pensar na Universidade do Milho, juntando forças, reunindo produtores, associações, entidades de classe, cooperativas e fornecedores para criar o seu próprio sistema de educação, focado nas habilidades e atributos que a indústria de vocês precisa. Vocês tem que construir seu próprio complexo educacional, investindo por conta própria, sem depender do governo.”

E dei alguns exemplos, como a criação pela Ford de uma escola de mecatrônica em Camaçari para suprir mão de obra para sua fábrica então recém inaugurada.

Sim, parece um absurdo. É mais custo, é pagar de novo por um serviço que é obrigação do governo… Mas é infinitamente mais barato que o custo da inoperância e da ignorância.
Universidade do Milho. Universidade da Soja. Universidade do Boi. Universidade do Vidro. Universidade do Aço. Universidade do Pão. Universidade da Energia… Iniciativas privadas de quem quer resolver os problemas. Tenho certeza que a ideia é óbvia ululante, e que talvez você conheça exemplos de setores da economia que já estão fazendo isso. Se conhece, por favor, conte para todo mundo, acessando a área de comentários deste artigo em www.portalcafebrasil.com.br.

Acho que mais gente vai se beneficiar dos exemplos.

Luciano Pires