Artigos Café Brasil
#DicaNetFlix Trotsky
#DicaNetFlix Trotsky
É uma série de terror. Tem assassinos em série, ...

Ver mais

Visualizando as estruturas do discurso do Portal Café Brasil
Visualizando as estruturas do discurso do Portal Café Brasil
Se você se aproximar do Café Brasil, prepare-se para ...

Ver mais

Café Brasil Premium – Retrospectiva 2018
Café Brasil Premium – Retrospectiva 2018
Ao longo de 2018 o Café Brasil Premium decolou e ...

Ver mais

#Retrospectiva PodSumários
#Retrospectiva PodSumários
Comece 2019 praticando o Fitness Intelectual. A barriga ...

Ver mais

652 – A realidade real
652 – A realidade real
Vivemos um tempo no qual muita gente tem dificuldades ...

Ver mais

651 – Era uma vez…
651 – Era uma vez…
A melhor forma de ensinar política para crianças – e ...

Ver mais

650 – A Espiral do Silêncio
650 – A Espiral do Silêncio
Temos um sexto sentido para perceber a tendência da ...

Ver mais

649 – Quando eu tiver 64
649 – Quando eu tiver 64
Fui dar uma olhada nos comentários dos ouvintes do Café ...

Ver mais

LíderCast 140 – Carlos Nepomuceno
LíderCast 140 – Carlos Nepomuceno
Doutor em Ciência da Informação, jornalista, escritor e ...

Ver mais

Vem aí a Temporada 11 do LíderCast
Vem aí a Temporada 11 do LíderCast
Está chegando a Temporada 11 do LíderCast!

Ver mais

LíderCast 139 – Nívio Delgado
LíderCast 139 – Nívio Delgado
De carinha do Xerox a Diretor Superintendente da maior ...

Ver mais

LíderCast 138 – Ricardo Abiz
LíderCast 138 – Ricardo Abiz
Empreendedor também, um pioneiro em diversas áreas de ...

Ver mais

Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Um bate papo entre Adalberto Piotto, Carlos Nepomuceno ...

Ver mais

046 – Para quem vai anular o voto
046 – Para quem vai anular o voto
Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

A vida é muito melhor com boechatividade
Henrique Szklo
Como a maioria dos brasileiros, fiquei consternado com a morte do jornalista Ricardo Eugênio Boechat. Não posso dizer que eu era exatamente um fã, mas como sob minha perspectiva, ele utilizou em ...

Ver mais

Noblesse Oblige
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Não dá pra saber quem é pior: A autora da bobagem, orgulhosa de sua total falta de noção, ou quem a defende, alegando lutar contra uma misoginia tão falsa quanto a cara de pau do arrivismo ...

Ver mais

Venezuela, Reforma Previdência & Futuro PT
Carlos Nepomuceno
Resumo da Live: Assistir completa: Formação Digital Bimodal: Programa de Formação Bimodal Lives antigas: https://nepo.com.br/category/o-melhor-de-2019/lives-do-nepo-o-digital-na-politica/

Ver mais

Metade cheia do copo
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Metade cheia do copo Um pouco de otimismo, pra variar  “A troca está para a evolução cultural como o sexo está para a evolução biológica.” Matt Ridley Em agosto do ano passado, a convite do ...

Ver mais

Cafezinho 151 – Chato à Bessa
Cafezinho 151 – Chato à Bessa
É impressionante ver como o mundo mudou.

Ver mais

Cafezinho 150 – O PAI
Cafezinho 150 – O PAI
No Brasil, imediato é longo prazo.

Ver mais

Cafezinho 149 – Nação, não governo
Cafezinho 149 – Nação, não governo
O Ministro da Educação anuncia que vai impulsionar o ...

Ver mais

Cafezinho 148 – Os Hostis
Cafezinho 148 – Os Hostis
Neste final de semana o Brasil parou para assistir a ...

Ver mais

A República Da Meia Boca

A República Da Meia Boca

Luciano Pires -



A REPÚBLICA DA MEIA BOCA




O ano de 2006 marcou o cinqüentenário da indústria automobilística brasileira. Em 1956 o Brasil vivia um momento ímpar. Tínhamos na presidência da república um sujeito interessantíssimo, chamado Juscelino Kubitscheck, que prometia fazer em cinco anos o que qualquer outro faria em cinqüenta. O Brasil era o país do futuro, todos os sonhos eram possíveis. Naquele final de década, o mundo aplaudia a Bossa Nova no Carnegie Hall, a televisão dava seus primeiros passos, Brasília era inaugurada. E mais: os brasileiros eram campeões mundiais de futebol. E de basquete também. Uma tenista – Maria Esther Bueno – vencia em Wimbledon. Eder Jofre consagrava-se campeão mundial de boxe. E uma porção de gente fazia acontecer, transformando sonhos impossíveis na Embraer, na Embrapa, na Petrobrás e em tantas empresas de sucesso. Era fascinante ver a coragem, o senso de oportunidade, a visão dos empreendedores brasileiros. E a evolução tecnológica nessas cinco décadas? Um assombro! Mas… Tem algo que me incomoda. E os empreendedores? Cadê aqueles malucos visionários e corajosos? Cinqüenta anos depois, cadê a indústria automobilística genuinamente brasileira?
O gato comeu.
A indústria automobilística brasileira não é brasileira. É global, com objetivos e prioridades definidas nos Estados Unidos, na Alemanha, na França e no Japão. A genuína indústria automobilística brasileira limita-se hoje à Troller, a fábrica dos jipes 4 x 4 no Ceará. As outras? Morreram. Puma, Gurgel, Miura, Engesa… Criações de empreendedores corajosos que foram tratados como loucos, idealistas inviáveis. Mas quando examinamos essa “loucura inviável” de uma perspectiva de cinqüenta anos, parece que há algo errado. Só para comparar com quem está na moda: em 1956, enquanto fabricávamos nossos primeiros automóveis no Brasil, os chineses andavam de carro de boi. Os indianos, de elefante. Os coreanos, a pé, em estradas destruídas pela guerra. Esses países eram conhecidos pela miséria industrial, política e econômica. Gigantescos fracassos, que se apagavam diante da exuberância de um Brasil emergente. Qualquer um apostaria em nós!
Pois acabo de saber que os chineses estão trazendo uma fábrica de automóveis para o Brasil. E que está planejada para os próximos meses a importação de carros chineses – e até indianos. Da Coréia, então, nem se fala! Importamos tecnologia de quem andava de carro de boi quando já fabricávamos carros no Brasil. Levamos cinqüenta anos para inverter as apostas. A conclusão é que os loucos chineses, indianos e coreanos são mais viáveis que os nossos.
As pesquisas que tenho visto apontam o renascimento do empreendedorismo no Brasil. Mas é um empreendedorismo diferente. Não é o mesmo daqueles loucos de cinqüenta anos atrás. A maioria do empreendedorismo brasileiro deste começo de milênio é o do sujeito que precisa arranjar o que comer no jantar. É o empreendedorismo da necessidade, das expectativas apenas razoáveis, geradas por carências básicas. E é aí que o bicho pega.
A expectativa dos loucos chineses, indianos e coreanos é de conquistar o mundo, como queriam os brasileiros de cinqüenta anos atrás. A expectativa dos normais brasileiros de 2006 é ter um dinheirinho pra comprar um carrinho. De preferência chinês, que é mais baratinho. E até bonitinho.
É a expectativa de quem vive na média. Acostumado com o que é meio-bom, meio-suficiente, meio-competente, meio-confortável, meio-saudável. A expectativa de quem é meia-boca. De quem não percebe que meio-bom é meio-ruim. Meio-honesto é meio-desonesto. Meio-competente é meio-incompetente. Com que metade você fica?
E assim, na república da meia-boca, cai o avião da Gol e o caos toma conta dos aeroportos, o PCC reina quando quer, as chuvas inundam São Paulo, as estradas são um buraco só, os juros são os mais altos do mundo, a educação é uma piada. E o povo indignado faz cara de espanto, esbugalha os olhos e exclama diante da televisão:
– Mas como?
E então, certos de que fizemos “o que dava”, voltamos à nossa vidinha das expectativas médias. Resignados como bovinos.
Quer saber? Chega de se contentar com o meio. Quero o Brasil inteiro.
Mas é bom andar logo. Os chineses também querem!