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Sexta,18 Maio 2012

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A Melô Do Sarney

Quem segue meu trabalho sabe que gosto de usar humor para tratar de coisas sérias. Cinco anos atrás decidi optar pela velha arma da paródia, da animação, da música e das imagens para distribuir algumas críticas pela internet. Nada que gerasse grandes mudanças, mas pequenas alfinetadas que devem doer muito em quem veste a carapuça. Foi assim que nasceu a série de Melôs: a Melô do Pocotó, a Melô do Congresso, a Melô da Eleição, a Melô do Mensalão e o O Funk dos Burrão. São pequenos vídeos que você encontra em meu site para assistir, baixar e distribuir: www.lucianopires.com.br/video/fficeffice" />



 Pois bem, o processo de produção dessas melôs só tem uma regra: inspiração. Quando a reflexão sobre um tema chega ao ponto, a música e o começo da letra surgem como que por milagre ffice:smarttags" />em minha mente. Aí é pesquisar, burilar, escrever e reescrever. Depois aciono uma excepcional rede de colaboradores para produzir a parte musical, a coreografia e animação dos bonecos, a filmagem e edição. E sempre acontece uma coisa fantástica: todos se divertem. Muito.
Já disseram que isso é coisa de brasileiro, um povo com capacidade infinita de rir de suas mazelas. Pois acho que isso é positivo. Só falta – depois de rir – tomar alguma providência, não é?



 Pois então. Ficou pronta uma nova melô. A Melô do Sarney, claro. Esse é o grande tema que domina o terceiro trimestre deste ano, revelando ao Brasil a infinita capacidade que o poder tem de atrair. Inebriar. Cegar. Corromper.



Mas não quero ser mais um a discutir esse tema. Prefiro recorrer a Willian Shakespeare que demonstrou sua genialidade ao esgotar o assunto numa frase: “A politica está acima da consciência.”



 Minha contribuição à discussão está abaixo e no link http://bit.ly/197KWH . A melodia é de “Bastidores” de Chico Buarque. A esculhambação da letra é minha. Arranjos e interpretação de Sérgio Sá. Coreografia e manipulação dos bonecos pela Cia Truks. E produção de vídeo pela Casa de Vídeo, com sonoplastia de Lalá Moreira.



Mostrei para um amigo bem mais velho e conservador que disse: “isso é molecagem”. Foi quando tive certeza de que a Melô estava pronta.



Com vocês, a MELÔ DO SARNEY



 



Chorei, chorei



Até ficar com dó de mim



E me tranquei no camarim



Tomei o calmante, o excitante



E um bocado de gim



 



Amaldiçoei



O dia em que te conheci



Ocê chegô do Maranhão



Com um bigodão



O jaquetão, os filhão, o mãozão



 



Sarney, Sarney



Porque é que ocê faz assim?



Foi censurar o Estadão



E botou o suplente



A caçoar de mim



 



Nem vou piscar



Na hora que eu for votar



Votar pra me certificar



Que ocê nunca mais vai voltar,



Vai voltar, vai voltar



 



Sarney, Sarney



Até o Collor disse sim



E o dedo sujo do Renan



Tremo de pensar



Que vai encostar em mim



 



Lá no Amapá



Tem gente que não qué ocê lá



Também não qué no Maranhão



Nem no Piauí, Ceará,



Tocantins, ou Pará



 



Sarney, Sarney



Tem pena do meu dinheirim



Só sei que todos os mané



Vão aplaudir de pé



Quando chegar o fim



 



Sarney, Sarney



Se ocê ficar, tem dó de mim


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